
A inflação corrói os salários, reduz o poder de compra e atinge principalmente os trabalhadores. Por isso, o enfrentamento da alta dos preços não pode ser feito às custas do desemprego, do arrocho salarial e da recessão econômica. O movimento sindical, deve defender um caminho diferente: controlar a inflação com crescimento, produção e justiça social.
Nos últimos anos, a política de elevação das taxas de juros tem sido apresentada como principal solução para conter a inflação. No entanto, os juros altos não atacam as verdadeiras causas do aumento dos preços e ainda provocam graves efeitos sobre a economia real. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam o investimento produtivo, freiam a geração de empregos e ampliam o custo da dívida pública, reduzindo recursos que poderiam ser destinados a políticas sociais e ao desenvolvimento.
A inflação não é resultado apenas do consumo, mas principalmente dos altos custos de produção, da falta de investimentos, da dependência de importações, da especulação e dos abusos de mercado. Por isso, é fundamental ampliar a produção nacional, fortalecer a indústria, apoiar a agricultura e investir em infraestrutura, reduzindo os custos que pesam sobre os preços finais.
O movimento sindical também tem responsabilidade na construção de acordos coletivos equilibrados, que garantam a reposição das perdas inflacionárias e ganhos reais compatíveis com a produtividade, evitando a espiral de preços e salários. As entidades sindicais, deve defender, negociações responsáveis, que protejam a renda do trabalhador sem alimentar a inflação. Salário digno não é causa da inflação; a carestia está ligada, sobretudo, aos custos elevados e à concentração de renda.
Além disso, é papel dos sindicatos lutar por políticas públicas que assegurem alimentos, energia e combustíveis a preços justos. Devemos defender, estoques reguladores, políticas de abastecimento, o fortalecimento das empresas estatais estratégicas e mecanismos que impeçam o repasse automático de choques internacionais para o bolso do povo.
O combate à inflação exige ainda enfrentar os monopólios, os cartéis e a especulação financeira e comercial. Preço abusivo é exploração. Por isso, as entidades sindicais devem atuar junto aos órgãos de fiscalização, denunciar práticas ilegais e defender mais concorrência, regulação e transparência nos mercados.
A saída para a inflação não está no desemprego nem no arrocho salarial imposto por juros elevados, mas na coordenação entre Estado, trabalhadores e setor produtivo. Defendemos mesas de negociação tripartites, pactos nacionais de desenvolvimento e políticas econômicas que combinem crescimento econômico, geração de empregos e estabilidade de preços.
O movimento sindical, deve reafirmar: não existe estabilidade econômica sem justiça social. Controlar a inflação é necessário, mas garantir salário digno, trabalho decente e desenvolvimento nacional é essencial. Nossa luta, deve ser por um Brasil que cresça produzindo, distribuindo renda e assegurando melhores condições de vida aos trabalhadores.





