
Dados da RAIS revelam desigualdades de renda por raça, gênero e escolaridade entre os empregados(as) assalariados(as) rurais
Os empregados pretos, pardos e as mulheres continuam recebendo, em média, salários inferiores aos dos homens e dos empregados brancos no mercado formal do agronegócio brasileiro. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2023, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e revelam também diferenças importantes entre o Brasil e o estado de São Paulo.
A RAIS contabiliza 1.787.678 vínculos ativos (milhão) no setor analisado em todo o país. O recorte setorial, inclui, majoritariamente, os empregados(as) assalariados(as) rurais, entretanto, podem conter números de outras categorias sindicais.
No estado de São Paulo foram registrados 344.851 (mil) vínculos ativos, o equivalente a 19,29% do total nacional.
Mulheres são minoria e recebem salários menores
No Brasil, os homens representam 82,68% dos empregados formais e recebem remuneração média de R$ 2.753,28. As mulheres correspondem a 17,32% dos vínculos, com remuneração média de R$ 2.261,24.
A diferença salarial entre homens e mulheres é de R$ 492,04. Isso significa que as mulheres recebem, em média, 17,87% menos que os homens. Sob outra perspectiva, o rendimento masculino é 21,76% superior ao feminino.
Em São Paulo, a participação feminina é maior. Os homens representam 77,90% dos vínculos e recebem remuneração média de R$ 3.029,47, enquanto as mulheres correspondem a 22,10%, com remuneração média de R$ 2.412,94.
A diferença salarial chega a R$ 616,53, fazendo com que as mulheres recebam 20,35% menos que os homens. Já o rendimento masculino é 25,55% superior ao feminino.
Na comparação entre Brasil e São Paulo:
- a participação feminina é 4,78 pontos percentuais maior em São Paulo;
- o salário médio dos homens paulistas é 9,99% superior ao registrado no Brasil;
- entre as mulheres, o rendimento em São Paulo é 6,71% maior que a média nacional;
- a desigualdade salarial entre homens e mulheres é mais elevada em São Paulo, onde a diferença percentual é 2,48 pontos percentuais maior.
Perfil etário é diferente entre Brasil e São Paulo
No Brasil, a maior concentração de empregados está na faixa entre 30 e 39 anos, com mais de 461 mil empregados. Além disso, aproximadamente 115 mil empregados possuem mais de 60 anos.
Em São Paulo, o perfil é mais envelhecido. A maior concentração está entre 40 e 49 anos, com cerca de 86 mil empregados, enquanto aproximadamente 30 mil possuem mais de 60 anos.
Escolaridade aumenta os salários
O ensino médio completo é a escolaridade predominante entre os empregados.
No Brasil, cerca de 700 mil empregados possuem ensino médio completo e recebem remuneração média de R$ 2.596,23. Já os mais de 36 mil analfabetos recebem, em média, R$ 1.946,88.
A diferença salarial é de R$ 649,35, indicando que trabalhadores com ensino médio completo recebem 33,35% mais que os analfabetos.
Em São Paulo, aproximadamente 132 mil empregados possuem ensino médio completo, recebendo remuneração média de R$ 2.715,37. Entre os cerca de 3.600 analfabetos, a remuneração média é de R$ 2.172,87.
A diferença salarial é de R$ 542,50, o equivalente a 24,97% a mais para quem concluiu o ensino médio.
Na comparação entre Brasil e São Paulo:
- empregados com ensino médio completo recebem, em média, 4,59% mais em São Paulo;
- entre os analfabetos, os salários paulistas são 11,61% superiores aos da média nacional;
- entretanto, a diferença salarial entre empregados com ensino médio e analfabetos é maior no Brasil, superando a de São Paulo em 8,38 pontos percentuais.
Deficiência física representa a maior parte das deficiências registradas no Brasil
Entre os empregados com deficiência registrados na RAIS, quase 5 mil possuem deficiência física, representando 43,22% das pessoas com deficiência no Brasil.
Em São Paulo, 721 possuem deficiência física, correspondendo a 28,46% das pessoas com deficiência registradas no estado.
Assim, a participação da deficiência física entre os empregados com deficiência é 14,76 pontos percentuais menor em São Paulo em comparação com a média nacional.
Empregados(as) brancos recebem os maiores salários
Os dados da RAIS também mostram diferenças expressivas de remuneração conforme a cor ou raça declarada.
No Brasil:
- 41,09% dos empregados são pardos, com remuneração média de R$ 2.537,85;
- 36,75% são brancos, com remuneração média de R$ 2.973,54;
- 6,14% são pretos, com remuneração média de R$ 2.428,02.
Na comparação dos salários:
- empregados brancos recebem 17,17% mais que os pardos;
- recebem 22,47% mais que os pretos;
- empregados pardos recebem 4,52% mais que os pretos.
Em São Paulo, o cenário também mostra vantagem salarial para os brancos.
- 61,67% dos empregados são brancos, com remuneração média de R$ 3.049,99;
- 22% são pardos, com remuneração média de R$ 2.691,32;
- 5,67% são pretos, com remuneração média de R$ 2.599,00.
No estado:
- empregados brancos recebem 13,33% mais que os pardos;
- recebem 17,35% mais que os pretos;
- empregados pardos recebem 3,55% mais que os pretos.
Na comparação entre Brasil e São Paulo:
- a participação de empregados brancos é 24,92 pontos percentuais maior em São Paulo;
- a participação de pardos é 19,09 pontos percentuais menor;
- a participação de pretos é 0,47 ponto percentual menor.
Quanto aos salários:
- empregados brancos paulistas recebem 2,57% mais que a média nacional;
- pardos recebem 6,05% mais que a média brasileira;
- pretos recebem 7,04% mais que a média nacional.
Embora as remunerações em São Paulo sejam superiores às médias brasileiras para todos os grupos raciais analisados, as diferenças salariais entre brancos, pardos e pretos permanecem elevadas, evidenciando que a desigualdade racial continua presente no mercado formal de trabalho rural.
Referência
Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2023 – Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Dados referentes aos vínculos formais de emprego do setor analisado. Os números apresentados podem incluir parte de empregados pertencentes a outras categorias de representação sindical, embora a maioria corresponda a empregados(as) assalariados(as) rurais.





