São Paulo, 13 de agosto de 2025 – O Banco do Brasil (BBAS3) vive um cenário turbulento no mercado acionário e financeiro. Nos últimos dois meses, suas ações caíram cerca de 30%, passando dos R$ 29 para cerca de R$ 19,24 — reflexo dos receios em torno da inadimplência do agronegócio, que compromete historicamente sólida carteira de crédito do banco. Estadão E-InvestidorReuters
Agronegócio sob pressão: calotes crescentes
A inadimplência dos empréstimos rurais atingiu 3,04% no 1T25, ante 1,19% no mesmo período de 2024, impulsionada por dificuldades climáticas, queda nos preços das commodities e custos elevados dos insumos. VEJAGenial AnalisaEstadão E-Investidor
Relatórios indicam que essa deterioração pode se agravar: o Bradesco BBI projeta que a inadimplência total chegará a 5,35% até o final de 2025 e a 5,8% no 2º trimestre de 2026. InfoMoneyIstoÉ Dinheiro
Provisões antecipadas e ajustes contábeis intensificam o impacto
A Resolução CMN nº 4.966, que entrou em vigor em 2025, exige que os bancos antecipem provisões para perdas esperadas, mesmo em créditos considerados adimplentes. Essa mudança contábil aumentou significativamente o volume de provisões do banco, especialmente em uma carteira extensa como a rural do BB. Genial AnalisaEstadão E-Investidor
Além disso, a deterioração da carteira de crédito corporativo e de consumo geral ameaça agravar ainda mais os próximos resultados. Estadão E-Investidor+1
Analistas atentos ao próximo balanço trimestral
Com a divulgação do balanço do 2º trimestre programada para 14 de agosto de 2025, o mercado já sinaliza expectativa de desempenho ainda fraco.
- A Genial Investimentos reduziu preço-alvo da ação de R$ 31,8 para R$ 23,8, mantendo recomendação de “manter” e estimando lucro líquido de cerca de R$ 5,1 bilhões — queda de quase 47% em relação ao mesmo período do ano anterior. Estadão E-Investidor
- O Safra projeta uma queda mais acentuada: 51% de retração no lucro, estimado em R$ 4,64 bilhões, com impacto mais forte vindo da carteira de crédito a pequenas e médias empresas do que do agronegócio. A rentabilidade (ROE) deve cair para 10,3%, abaixo do custo do capital, enquanto as provisões podem subir quase 80%, chegando a R$ 14 bilhões. Estadão E-Investidor
BB tenta negociar com o Banco Central
Diante do cenário adverso, o Banco do Brasil busca um “tratamento diferenciado” junto ao Banco Central quanto à Resolução 4.966, argumentando que o ciclo do crédito rural — com prazos mais longos e sazonalidade — não se encaixa bem no modelo de provisionamento acelerado. Executivos lembram que essa política já custou cerca de R$ 1 bilhão no 1T25. Estadão E-Investidor
Plano Safra e perspectiva de retomada
Em resposta às preocupações do mercado, o banco anunciou aumento de sua participação no Plano Safra, destinando R$ 230 bilhões para a temporada 2025/26, valor 2% maior que o ano anterior. Apesar do tom de apoio ao setor, investidores seguem cautelosos diante do risco elevado. Reuters
Quadro síntese – Fatores-chave da crise no Banco do Brasil
| Fator | Impacto sobre o Banco do Brasil (BBAS3) |
| Inadimplência em 1T25 | Saltou para 3,04%, pressionando resultados |
| Projeções negativas | Piora contínua esperada para até 2026 |
| Nova norma contábil | Provisões antecipadas elevaram custos |
| Crédito corporativo | Também apresenta deterioração |
| Projeções de lucro 2T25 | Queda estimada entre 47% (Genial) e 51% (Safra) |
| Estratégia junto ao BC | Busca afrouxamento da regra de provisão |
| Apoio ao agro | Mais crédito via Plano Safra, mas risco persiste |
Conclusão: O Banco do Brasil enfrenta um momento crítico, com agravamento da inadimplência rural, pressão regulatória e projeções de balanço frágeis. Fatores que, juntos, abalaram a confiança do mercado e provocaram forte queda nas ações. O resultado do 2T25, previsto para amanhã, será decisivo para indicar se o banco conseguirá retomar alguma estabilidade ou se a crise ainda está longe do fim.
Matéria do JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO. “O dossiê da inadimplência do agro que derruba a ação do Banco do Brasil em 30%”, publicada hoje (13 de agosto de 2025) no E-Investidor (Estadão)
